Casa do Engenho

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Implantada no seio de uma propriedade agrícola em Vila Nova de Gaia, caracterizada por relevos suaves, a Casa do Engenho integra um conjunto edificado do início do século XVIII, composto pela residência principal, áreas de cultivo, eira, poços - um deles o antigo “engenho” - e pequenos edifícios de apoio. Este corpo complementar, originalmente dedicado a acolher encontros e celebrações familiares, apresentava uma organização rígida e compartimentada, que limitava a sua funcionalidade e a vivência quotidiana. A proposta assenta numa transformação integral do interior, preservando a integridade estrutural e a expressão arquitetónica exterior. A leitura da fachada foi clarificada através da regularização da métrica e da introdução de novas portadas, garantindo conforto e flexibilidade no controlo da luminosidade. Embora formalmente ligado à casa principal, o edifício assume autonomia e identidade própria, afirmando uma linguagem mais contemporânea e contrastante.
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A Casa do Engenho é uma obra de intervenção num edifício outrora destinado a prolongar a vivência da casa principal, acolhendo celebrações e encontros familiares. Implantada no seio de uma propriedade agrícola em Vila Nova de Gaia – território de relevos suaves -, a construção integra um conjunto edificado do início do século XVIII, no qual se incluem a residência principal, áreas de cultivo, eira, poços, um deles “engenho” e  outros pequenos edifícios de apoio.

A proposta assenta numa transformação integral do interior, preservando, todavia, a integridade estrutural e a expressão arquitetónica exterior, cuja leitura foi clarificada através da ordenação da métrica da fachada e da introdução de novas portadas assegurando conforto e flexibilidade na gestão da luminosidade interior. 

Antes da intervenção, a casa da piscina apresentava uma organização rígida, compartimentada e impessoal, composta por uma garagem, um salão e uma cozinha, todos independentes e desarticulados, o que limitava a vivência dos espaços em termos funcionais. É precisamente na tentativa de combater estas barreiras que surge a oportunidade de repensar a organização interior para função e exigência habitacional.

Embora em continuidade física com a casa principal, este corpo adquire identidade própria, afirmando-se com uma linguagem mais contemporânea e contrastante. O interior foi pensado para modernizar e revitalizar os espaços, explorando ao máximo a permeabilidade visual e a luz natural proveniente sobretudo de poente.

O programa habitacional distribui-se em dois pisos já existentes, interligados através de uma escada contemporânea. A escada original foi reabilitada, assumindo-se como elemento simbólico e escultórico no desenho final. Constituída, na sua base, por degraus em pedra,  coincidentes com o pavimento do hall de entrada, estabelecem uma continuidade material  entre os espaços. A restante escada desenvolve-se numa sequência dos degraus em madeira, que introduzem leveza, calor e ritmo ao percurso ascendente, desde as zonas mais públicas da casa até às zonas mais íntima da habitação.

No piso térreo concentram-se as áreas sociais, organizadas num espaço contínuo, onde sala de estar, sala de jantar e cozinha constituem um só ambiente. A fluidez entre os espaços é reforçada pela uniformidade material, em particular pela presença da madeira, que confere unidade e amplitude. A relação entre sala e cozinha pode ser controlada por painéis deslizantes em madeira, permitindo controlar a abertura ou a privacidade consoante a ocasião. Ainda neste piso, o programa integra lavandaria, despensa, instalação sanitária de serviço, garagem e a suíte principal, composta por closet, instalação sanitária e área de spa com ligação direta ao exterior.

O piso superior acolhe duas suítes e um salão amplo, todos com acesso a varandas. A cobertura inclinada integra claraboias estrategicamente posicionadas, que asseguram iluminação natural. Além disso, prolonga-se para além do perímetro da casa, formando uma área exterior coberta que amplia as possibilidades de uso e permanência, ao mesmo tempo que assegura proteção solar.

Após a intervenção, o edifício adquire um novo protagonismo de toda a propriedade, deixando de ser um espaço complementar para se afirmar como a habitação principal da família. A requalificação devolve-lhe vitalidade e significado, salvaguardando a memória do lugar. A materialidade recorre a elementos naturais, capazes de dialogar com a pré-existência, enquanto a espacialidade interior privilegia a continuidade, a fluidez e a relação entre interior e exterior, garantindo a continuidade da vivência familiar num espaço renovado, luminoso e acolhedor.

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